Como gestor, recomende alguém do time com três informações: o escopo que a pessoa cuidava, o que cresceu e em qual papel você a contrataria de novo. O texto não precisa ser longo. Ele precisa mostrar a responsabilidade da pessoa com a mesma clareza com que você a descreveria numa conversa de carreira.
Escopo: descreva o tamanho do que ela cuidava
Um gestor tem a visão do escopo que um colega não tem. Use essa visão para descrever o que a pessoa assumia, sem inventar números. A tabela organiza as três perguntas que o texto precisa responder.
| Eixo | O que o texto responde |
|---|---|
| Escopo | O que a pessoa cuidava, com que tamanho de time, projeto ou carteira, e quem dependia do trabalho dela. |
| Crescimento | O que mudou de um período para o outro: uma responsabilidade nova, um método, uma decisão que passou a tomar. |
| Contrataria de novo | Em qual papel e em que tipo de projeto você a colocaria de novo, e por quê. |
- O tamanho do time, do projeto ou da carteira que ela conduzia, em termos que você pode checar.
- O prazo e o tipo de entrega pelo qual ela respondia.
- Quem dependia do trabalho dela dentro e fora do time.
Crescimento: o antes e o depois
Crescimento é uma mudança que você consegue apontar. Compare como a pessoa trabalhava no início com o que ela faz hoje, em duas frases que o leitor possa imaginar.
| Momento | Exemplo de frase |
|---|---|
| Antes | Cuidava da execução de uma fila de pedidos, com a minha revisão em cada etapa. |
| Depois | Passou a definir a prioridade da fila e a treinar quem entrava no time, sem a minha revisão. |
A diferença entre os dois momentos é o que o leitor precisa ver. Sem ela, o texto vira um elogio de cortesia.
Por que você contrataria de novo
A frase de fechamento é a mais lida e a mais fácil de escrever mal. Responda, em ordem, três perguntas, e depois escreva uma frase só.
- Em qual papel você colocaria a pessoa de novo?
- Em que tipo de projeto ela rende mais?
- Qual é a característica que você levaria para outra empresa?
Oito exemplos de gestores escrevendo sobre o time
Os nomes, as empresas e os números abaixo são ilustrativos. Cada um segue escopo, crescimento e fechamento, nessa ordem, e você pode usar a mesma sequência com os seus casos.
Tecnologia
O Júlio começou o ano como desenvolvedor pleno no meu time de produto (ilustrativo). Em seis meses, passou a liderar a revisão técnica das entregas e a conduzir a análise de incidentes. Hoje ele decide sozinho a arquitetura de módulos pequenos e explica o porquê para o time. Eu contrataria de novo como tech lead.
Vendas
A Fernanda cuidava de uma carteira de contas médias no meu time comercial (ilustrativo). Ao longo do ano, assumiu a negociação das contas grandes da região e passou a treinar os novos vendedores. Ela sabe quando pedir ajuda e quando fechar sem mim. Eu a colocaria de novo como gerente de contas.
Marketing
O Caio coordenava as campanhas de conteúdo do time e eu cuidava da estratégia (ilustrativo). Quando assumiu também o calendário de lançamentos, reduziu o tempo de aprovação das peças pela metade, com um fluxo que ele mesmo desenhou. Eu contrataria de novo para liderar uma área de conteúdo.
Finanças
A Patrícia era analista sênior de controladoria no meu grupo (ilustrativa). Assumiu o fechamento de dois centros de custo e, depois, a apresentação do resultado para a diretoria. Ela explica os números sem esconder o que não bate. Contrataria de novo como coordenadora, sem dúvida.
Operações
O Wellington entrou como auxiliar no meu time de operações e hoje responde por um turno inteiro (ilustrativo). Ele aprendeu a escala, a manutenção preventiva e a conversa com fornecedores. Quando a demanda subiu, montou a escala nova sem parar a linha. Eu o colocaria de novo em qualquer posição de supervisão.
Recursos humanos
A Adriana cuidava da admissão de funcionários no meu setor (ilustrativa). Passou a conduzir também a avaliação de desempenho do time, com roteiro próprio e feedback em conversa individual. As pessoas passaram a pedir a conversa dela. Eu a contrataria de novo para liderar a área.
Atendimento
O Ricardo era analista de suporte e hoje coordena a fila de chamados técnicos (ilustrativo). Criou uma base de respostas para os casos repetidos e a manteve com a equipe. Ele resolve o problema do cliente e registra a causa para o produto. Eu contrataria de novo como coordenador.
Engenharia
A Marina entrou como engenheira júnior na obra em que eu era gerente (ilustrativo). Em um ano, passou a responder pelo cronograma de um trecho e a negociar o prazo com a empreiteira. Ela pede as informações antes de decidir e documenta cada mudança. Contrataria de novo para liderar uma frente de obra.
Cuidados de quem é gestor
- Não use a recomendação para resolver um conflito de equipe. Ela é pública, e o assunto precisa ficar na conversa.
- Não fale de desempenho com dados que a pessoa não conhece. Se a avaliação dela é confidencial, ela continua confidencial.
- Avise a pessoa de que vai escrever. Não há surpresa melhor para um liderado do que ler um texto sobre o próprio trabalho.
Checklist antes de publicar
- O texto cita o escopo com fatos verificáveis, e não com números que você não conhece.
- Há um antes e um depois, com uma responsabilidade que a pessoa ganhou.
- A frase sobre contratar de novo diz em qual papel, e não em qualquer papel.
- Nenhuma informação de avaliação interna ou de salário aparece no texto.
- A pessoa sabe que você está escrevendo e concordou com o conteúdo.
Como publicar e onde o texto aparece
Você escreve a recomendação a partir do perfil da pessoa, na área de recomendações, ou quando ela pedir uma. O texto só aparece depois que ela aceita. Os caminhos mudam entre o app e o computador, então siga o que estiver na tela.
Se você também está revisando o próprio perfil de liderança, os guias de primeira liderança no LinkedIn e de competências de liderança no LinkedIn ajudam a separar o que é gestão do que é execução. Para a seção Sobre, o modelo de gestor está em Sobre do LinkedIn para gestor. Se depois quiser ocultar um texto, o caminho está em gerenciar recomendações no LinkedIn.
Pra fechar: o seu perfil também precisa ser lido
Um gestor que recomenda o time também precisa mostrar a própria liderança no perfil. Se o seu ainda não diz o tamanho do time e as entregas que você conduziu, o pacote do AjustaLinkedIn escreve headline, Sobre, experiências e 50 competências por R$ 9,90, em pagamento único, e você cola cada campo no seu perfil. A análise grátis mostra a nota atual em cinco categorias, sem cadastro.
Perguntas frequentes
Posso recomendar alguém do meu time que ainda está na empresa?
Pode, e o texto fica mais forte quando fala do que a pessoa faz hoje. Escreva com o cuidado de quem ainda divide o time com ela: sem detalhes de avaliação interna, sem comparação com colegas e sem prometer promoção ou aumento.
Devo recomendar alguém que saiu do time e não foi bem?
Só escreva se você puder descrever um trabalho real e positivo. Se a saída foi conflituosa, não é o momento de publicar. Um texto neutro, que cita só o período e o papel, é mais honesto do que um elogio que você não sustenta.
Qual é a diferença entre recomendar um liderado e um colega?
O liderado é avaliado por quem decide o escopo dele, e a recomendação precisa mostrar esse escopo: o que a pessoa cuidava, quem dependia do trabalho e como cresceu. Um colega fala de algo feito lado a lado. O gestor fala de responsabilidade.
Quanto tempo depois devo escrever?
Quando a pessoa já tiver uma entrega concreta para citar, e não antes. Um texto escrito logo na primeira semana costuma ser genérico. Espere ter pelo menos um projeto fechado para mostrar o antes e o depois do trabalho dela.
Quer seu perfil LinkedIn escrito pro cargo que você quer?
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