Coloque uma experiência de poucos meses no LinkedIn quando ela tiver entrega concreta e uma saída que você explica em uma frase: uma entrada curta com descrição vale mais que um intervalo vazio. Tire só quando não houve trabalho real ou quando a saída não tem como ser explicada de forma neutra.

O que o recrutador pensa ao ver uma entrada de dois meses

Ele se pergunta duas coisas: a pessoa saiu porque quis, porque foi mandada embora ou porque o contrato acabou? E o que ela fez enquanto estava lá? A duração sozinha quase nunca decide nada. Um cargo de dois meses bem descrito é uma informação. Um cargo de dois meses sem descrição, perdido no meio de quatro anos de carreira, é uma pergunta que ele vai fazer na ligação.

Por isso, a decisão não é sobre o tempo. É sobre o que você consegue dizer.

Quando colocar

  • Você entregou algo: um projeto, uma carteira, uma campanha, uma substituição, um treinamento de equipe.
  • A experiência tem relação com a vaga ou mostra uma competência que a vaga pede, mesmo que o cargo seja diferente.
  • Você consegue explicar a saída em uma frase neutra e verdadeira, como “o contrato era por projeto” ou “a empresa fechou a unidade”.

Quando tirar

  • Não houve trabalho real: foi um período de teste recusado logo no início e nada foi entregue.
  • A saída não pode ser explicada sem entrar em detalhes que você não quer discutir no processo seletivo.
  • A experiência é de outra área, não tem relação com a vaga e o intervalo que sobra é curto.

Tirar uma entrada não é mentir, desde que o que fica seja verdadeiro e a conta do tempo continue batendo com a carteira. O limite entre uma coisa e outra está em mentir no LinkedIn e onde fica a linha.

Como escrever a descrição de uma experiência curta

  1. Cargo: o nome de mercado da função, mesmo que o contrato tenha usado outro nome. Se o cargo do contrato era diferente, use o da carteira e explique a função na descrição.
  2. Datas: mês e ano de início e de fim, exatamente como na carteira ou no contrato. Dois meses aparecem como dois meses.
  3. Descrição: um ou dois bullets, em verbo no passado. Escreva o que foi entregue, no prazo de tempo que você teve, e um resultado se houver.
  4. Tipo de emprego: se foi contrato temporário ou por projeto, marque a opção correspondente, quando o LinkedIn oferecer. O nome das opções muda com frequência; confira no seu perfil.

Se o período foi curto por um motivo que não cabe no bullet, como uma substituição ou um contrato de projeto, o motivo vai na descrição em uma frase. Ele não precisa de justificativa longa; basta dizer que foi uma cobertura, um projeto fechado ou uma vaga temporária, sem entrar em detalhes da empresa.

Exemplos de bullets antes e depois

Dados fictícios e ilustrativos. Use os seus.

Projeto de seis meses

Antes: Auxiliar de marketing.

Depois: Montei o calendário de cinco redes sociais de uma loja nova, do zero, em seis meses (dado ilustrativo: 40 publicações no primeiro mês).

Substituição de licença

Antes: Assistente administrativo temporário.

Depois: Cobri a rotina de contas a pagar de uma equipe de 30 pessoas por três meses, sem atraso em nenhuma data de vencimento (dado ilustrativo).

Empresa que demitiu no período de teste

Antes: Vendedor.

Depois: Atendi 120 clientes em loja de eletrônicos em dois meses e fechei o primeiro trimestre como um dos três melhores em conversão (ranking ilustrativo).

Note que o bullet “depois” não exagera o cargo. Ele diz o que foi feito, em que volume e com que resultado, e o recrutador consegue checar cada parte na entrevista.

Três experiências curtas seguidas

Uma sequência de entradas de poucos meses é o caso que mais pesa no perfil, porque o padrão aparece. Se os três contratos foram por projeto, agrupe-os sob uma mesma empresa, quando for o mesmo empregador, ou escreva uma frase no Sobre sobre o tipo de trabalho que você faz (projetos, contratos, consultoria). Não é preciso justificar cada saída no perfil; a entrevista é o lugar para isso.

Se a sequência é uma escolha de carreira, como trocar de área a cada seis meses para testar caminhos, o Sobre é o lugar de dizer isso com clareza. Quem está nessa fase encontra mais no artigo sobre pausa na carreira no LinkedIn.

Quando a experiência curta foi uma demissão

Demissão no período de experiência é comum e não precisa virar um assunto no perfil. O perfil não exige o motivo da saída, e a descrição mostra o que você fez. Na entrevista, a resposta mais útil é curta, verdadeira e focada no aprendizado: o que você entendeu sobre a função e o que procura agora. Se a empresa fechou ou reduziu a equipe, dizer isso é suficiente. A mesma lógica vale para empresa que fechou no LinkedIn.

Erros comuns

  • Descrição vazia. Um cargo sem bullet parece um buraco com nome.
  • Datas arredondadas. Dois meses viram um ano; o recrutador percebe na conta.
  • Cargo inflado.Um estágio de três meses como “Coordenador” é o tipo de detalhe que não sobrevive à checagem.
  • Sumir com o período e deixar a conta sem fechar. O intervalo que sobra é mais difícil de explicar do que a experiência curta.

Quando o perfil precisa de ajuda

Experiências curtas costumam ter descrições fracas, porque ninguém escreve muito sobre um cargo que durou pouco. A análise grátis do AjustaLinkedIn dá a nota atual e conta quantas experiências do seu perfil têm descrição e número, em um minuto, sem cadastro. Para reescrever cada cargo com resultado, no nome de mercado, o pacote de perfil custa R$ 9,90, pagamento único. Se o currículo também precisa mostrar essas entradas de forma que passe no filtro, a análise ATS grátis do AjustaCV mostra como ele lê cada uma delas.


Perguntas frequentes

Vale a pena colocar um emprego que durou só dois meses?

Vale, se você entregou alguma coisa e consegue explicar a saída em uma frase neutra, como "o projeto acabou" ou "a empresa reduziu a equipe". Se a saída foi conflituosa e você não quer falar disso, tire a entrada do perfil e pergunte-se se o intervalo que sobra é mais fácil de explicar.

Tirar a experiência curta do LinkedIn tira ela do currículo e da carteira?

Não. O perfil é uma vitrine e o currículo e a carteira de trabalho são registros. Se a vaga pedir o histórico, a empresa pode conferir a carteira na admissão. Por isso, o que você mostra no LinkedIn e no currículo precisa ser o mesmo histórico, só com menos detalhe onde faz sentido.

Três empregos de seis meses seguidos parecem instabilidade?

Podem parecer, se o perfil não explica nada. Agrupar por projeto, por contrato ou pela mesma empresa, quando for o caso, e escrever o que foi entregue em cada um muda a leitura. O recrutador quer saber o que você fez, e a duração pesa menos do que parece.

Preciso explicar uma experiência curta no Sobre?

Não é obrigatório. Uma frase no Sobre basta quando o período curto pode gerar dúvida na vaga que você busca, como uma transição ou um intervalo grande. Fora isso, a descrição do cargo já cumpre o papel e o Sobre fica para o que você quer fazer agora.

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