Mentir no LinkedIn é colocar no perfil um cargo, empresa, data, formação, certificação ou resultado que não existe. O que pode acontecer é a checagem na entrevista ou na admissão, e a demissão quando a empresa descobre depois. A linha não passa por arredondar o que é verdadeiro; passa por afirmar o que você não consegue comprovar.
O que acontece quando a mentira aparece
A mentira no perfil costuma ser descoberta em três momentos. O primeiro é a entrevista: o recrutador pede para contar sobre um projeto e a história não fecha. O segundo é a checagem de admissão, quando a empresa confere a carteira, o diploma ou o certificado. O terceiro é depois de contratado, quando alguém da equipe conhece o suposto cargo anterior e comenta.
Cada um desses momentos pode terminar a candidatura ou o contrato. Quem decide é a empresa, caso a caso. O que importa no seu planejamento é que a mentira não some com o tempo: ela fica registrada no perfil, nas mensagens e nos e-mails de recomendação que você pediu.
Onde fica a linha
A linha é simples de testar: você consegue provar isso com um documento ou contar a história com detalhes sem hesitar? Se sim, está no perfil. Se não, tire ou reescreva. A tabela mostra os casos mais comuns.
| Situação | Veredito |
|---|---|
| Arredondar o mês de início para o mês que consta na carteira | Está certo: é o próprio registro |
| Escrever o cargo de mercado no lugar do nome interno da empresa | Está certo, desde que a função seja a mesma |
| Colocar a headline com o cargo que você busca e a palavra transição | Está certo: diz a intenção e a situação |
| Não colocar um cargo de dois meses | Está certo na maioria dos casos, desde que o restante seja verdadeiro |
| Escrever um cargo que você não ocupou, ou um título acima do que teve | Mentira: a entrevista e a checagem desmontam |
| Mostrar um diploma não concluído como concluído | Mentira: a formação costuma ser conferida |
| Inventar um resultado, um número ou um prêmio | Mentira, mesmo que o número pareça verossímil |
| Criar uma empresa, um período ou um projeto que não existiu | Mentira: o recrutador liga e pergunta |
Arredondar não é mentir, desde que o registro bata
Nem tudo que não é perfeito é mentira. Escrever a data de início pelo mês, e não pelo dia, é o formato que o próprio LinkedIn pede. Usar o nome de mercado da função quando a empresa chamava o cargo de outro jeito também é prática comum, desde que o cargo seja o mesmo. Escolher o que entra no perfil, deixando de fora uma experiência de poucos dias, é uma decisão de apresentação.
O critério é que o que você escreveu bata com o que o documento diz. Arredondar uma data de seis semanas para dois meses é um teste que a carteira não passa. Em caso de dúvida, a regra é a mesma para toda a carreira: se a carteira, o contrato ou o diploma não confirmam, não entra.
Mentira que parece pequena e não é
Os casos que mais dão problema raramente são grandes. São pequenos: um certificado que a pessoa fez em um curso livre e apresentou como de uma instituição conhecida; um resultado de vendas que era da equipe e foi atribuído ao próprio nome; uma função de coordenação que era de apoio. Cada um parece detalhe. Juntos, viram um perfil que não se sustenta na entrevista.
A saída para quem sente que exagerou é reescrever antes de ser perguntado. Trocar uma frase por outra mais honesta costuma ser simples e não custa a vaga.
Como escrever com força sem inventar
- Use o verbo certo.“Apoiei” e “participei” são verdadeiros quando é o caso; “liderei” só se você liderou.
- Diga o seu papel no resultado.Se a meta era da equipe, escreva “contribuí para a meta da equipe, com 30% das vendas” (número ilustrativo, use o seu).
- Troque o adjetivo pelo fato.“Experiente em Excel” diz pouco. “Montei planilhas de custo com tabelas dinâmicas e macros” pode ser checado.
- Guarde o documento. Certificado, relatório, print de meta batida e e-mail de elogio ficam numa pasta. É o que você mostra quando a pergunta chega.
E se o perfil já tem algo que não é verdade?
Corrija. Tire a informação, reescreva a frase e, se for um cargo que não existiu, apague a entrada. Quem já viu a versão antiga pode ter guardado a informação, então corrigir não apaga a conversa que já aconteceu. Se a correção envolve uma formação ou um certificado, o caminho mais limpo é dizer a verdade em uma linha: “cursei até o quinto período” é melhor que uma vaga perdida depois.
Lembre que o LinkedIn muda os campos e as regras de exibição com frequência. Se algo do perfil não está onde este texto diz, confira na central de ajuda ou no próprio perfil.
O que vale mais que a mentira
Um perfil verdadeiro e bem escrito vence um perfil inflado na maioria das entrevistas, porque a conversa confirma o que está escrito. A diferença é o tempo: o perfil verdadeiro precisa de texto, de número real e de competências bem escolhidas. A estrutura de um bom texto está em como descrever experiência no LinkedIn, e o tratamento de formação que você não concluiu está em formação incompleta no LinkedIn.
Quando a dúvida é sobre o cargo que você busca
Quem está em transição sente a tentação de escrever o cargo do futuro como se fosse o atual. A saída honesta é o cargo atual, depois o cargo alvo com a palavra transição, e um Sobre que explica o caminho. Recrutador entende transição; ele não perdoa a surpresa de um cargo que não existia. O mesmo vale para transição de carreira no LinkedIn.
Quando o perfil precisa de ajuda sem exagero
Um perfil honesto ainda pode ficar fraco. A análise grátis do AjustaLinkedIn dá a nota atual de headline, Sobre, experiências, competências e completude em um minuto, sem cadastro, e mostra onde o texto está vago sem precisar inventar nada. O pacote de perfil reescreve o que você já tem, a partir do seu currículo ou do PDF do LinkedIn, por R$ 9,90, pagamento único, sem acrescentar cargos que você não ocupou. Se o currículo também precisa ser conferido com o mesmo cuidado, a análise ATS grátis do AjustaCV mostra o que o filtro lê de cada entrada.
Perguntas frequentes
Dá para ser demitido por uma mentira no LinkedIn?
Pode dar, principalmente quando a mentira é sobre formação, cargo, certificação ou experiência exigida para a vaga, e a empresa descobre depois da contratação. Quem decide é a empresa, com base no caso concreto e no que foi prometido. Por isso a regra segura é não sustentar nada no perfil que você não consegue comprovar com documento.
Arredondar datas no LinkedIn é mentira?
Depende do tamanho do arredondamento. Escrever o mês de início do cargo quando ele foi em janeiro e a carteira diz janeiro é o padrão. Trocar um contrato de três meses por um ano inteiro não é arredondamento, é outra história, e a carteira mostra a diferença.
Posso colocar na headline o cargo que quero, mesmo sem ter ocupado?
Pode, se o texto deixa claro a situação. "Analista de Dados | em transição de carreira" diz o que você quer e o que está fazendo. "Gerente de Dados" sem nunca ter sido gerente é o tipo de afirmação que a entrevista desmonta. Use o cargo alvo com a palavra transição ou buscando.
Se eu não tenho diploma, posso colocar que tenho?
Não. Formação incompleta se escreve como incompleta, com o curso e o período cursado. Se você está fazendo o curso, a palavra cursando resolve. Diploma que não existe é o tipo de mentira que mais dá problema depois, porque a formação costuma ser conferida.
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