Em TI, a experiência funciona quando o bullet mostra o sistema, o problema e o efeito medido: tempo de resposta, incidentes, custo, deploys ou chamados. Escreva o verbo no passado, a tecnologia usada e o número que mudou. Recrutador técnico lê a stack em segundos, então ela precisa estar no bullet. Os exemplos são ilustrativos.
Por que TI tem bons números e perfis sem nenhum
Quem trabalha com sistema convive com métrica todo dia: painel de monitoramento, fila de chamados, histórico de deploy. O problema é que a métrica fica na ferramenta e nunca chega ao perfil. O resultado é um perfil com a lista de tecnologias e nenhuma prova de que a pessoa sabe usá-las. O recrutador de TI procura a prova. A stack diz o que você conhece; o bullet diz o que você resolveu.
Os quatro tipos de número que TI quase sempre tem
- Desempenho: tempo de resposta, tempo de carregamento, consumo de memória, tempo de build.
- Confiabilidade: disponibilidade, incidentes por mês, tempo para detectar e para restaurar.
- Entrega: deploys por semana, funcionalidades entregues, projetos no prazo.
- Escala e custo: usuários atendidos, mensagens processadas, custo de nuvem, servidores migrados.
Como achar o número no seu dia a dia
- Abra o painel de monitoramento que você usava (Grafana, Datadog, New Relic) e veja o último mês. Tempo de resposta, erro e disponibilidade geralmente estão lá.
- No repositório (GitHub ou GitLab), conte os merges na branch principal e os deploys do período. Histórico de releases já tem data.
- No sistema de chamados (Jira, Zendesk, Freshdesk), filtre pelo seu nome: volume por mês e SLA cumprido são números prontos.
- Na fatura da nuvem (AWS Cost Explorer ou equivalente), compare o custo antes e depois de uma mudança. Se a fatura antiga ainda existe, a conta leva dez minutos.
- Sem nada disso, use escopo: quantos sistemas, quantas integrações, quantos usuários da área. Escopo também é número, e é verificável na entrevista.
15 bullets antes e depois, por cargo de TI
Números ilustrativos. A estrutura é o que serve de modelo.
Desenvolvedor back-end
Antes: Desenvolvimento de serviços do sistema de pedidos.
Depois: Reescrevi o serviço de pedidos em Node.js e TypeScript e cortei o tempo de resposta p95 de 1,2 s para 300 ms em três meses.
Desenvolvedor front-end
Antes: Criação de telas no sistema web.
Depois: Migrei o painel de React 16 para React 18 em seis semanas, com build 40% mais rápido e zero regressões em produção.
Desenvolvedor mobile
Antes: Desenvolvimento do aplicativo da empresa.
Depois: Publiquei o app Android e iOS, que chega a 80 mil usuários ativos por mês com nota 4,6 nas lojas.
Suporte N2
Antes: Atendimento de chamados de usuários.
Depois: Atendi 350 chamados por mês com SLA de 4 horas em 95% dos casos e escrevi 30 procedimentos que cortaram 20% do volume.
Infraestrutura
Antes: Manutenção de servidores e backups.
Depois: Migrei 40 servidores para a nuvem AWS em cinco meses e reduzi o custo mensal de infraestrutura em 28%.
DevOps
Antes: Pipelines de integração e deploy.
Depois: Montei pipelines no GitHub Actions para 12 serviços; os deploys passaram de um por mês para 15 por semana, com rollback em cinco minutos.
Segurança da informação
Antes: Monitoramento de segurança e acessos.
Depois: Implantei autenticação em dois fatores para 1.200 colaboradores e zerei os acessos indevidos por credencial vazada em 2025.
Consultor de ERP
Antes: Implantação do ERP.
Depois: Implantei o módulo fiscal do ERP em três filiais em dois meses, sem atraso na emissão de notas fiscais.
Tech lead
Antes: Liderança técnica do time.
Depois: Liderei seis desenvolvedores na reescrita do monólito em microsserviços, com entregas trimestrais no prazo.
Gerente de projetos de TI
Antes: Acompanhamento de projetos de tecnologia.
Depois: Entreguei nove projetos de TI em 2025, sete no prazo, com orçamento médio 6% abaixo do previsto.
Arquiteto de soluções
Antes: Desenho de arquitetura de sistemas.
Depois: Desenhei a arquitetura de eventos que processa 2 milhões de mensagens por dia com disponibilidade de 99,9% no último ano.
DBA
Antes: Administração de bancos de dados.
Depois: Administrei PostgreSQL de 4 TB em produção, com backup testado todo mês e restauração em menos de 40 minutos.
Estagiário de desenvolvimento
Antes: Apoio às tarefas da equipe de desenvolvimento.
Depois: Entreguei 14 funcionalidades em Python durante o estágio; três delas são usadas por mais de 500 pessoas por mês.
Monitoramento
Antes: Criação de dashboards de monitoramento.
Depois: Montei dashboards no Grafana para 30 serviços e reduzi o tempo médio de detecção de incidentes de 40 para 8 minutos.
Product owner de TI
Antes: Facilitação das cerimônias ágeis.
Depois: Facilitei sprints de duas semanas para três times, com velocidade estável por oito sprints e backlog priorizado a cada ciclo.
Quantos bullets por cargo de TI
- Desenvolvedor, DevOps e DBA: três a cinco no cargo atual, com stack e resultado em cada um.
- Suporte e infraestrutura: três ou quatro, misturando volume de chamados, SLA e uma automação ou migração.
- Tech lead, arquiteto e gestor de projetos: quatro ou cinco, com tamanho do time e entregas.
Erros que derrubam um perfil de TI
- Escrever “conhecimento em Python, Java e Go” no bullet e não dizer o que foi feito.
- Descrever a tecnologia como se fosse o trabalho. “Usei Kubernetes” não diz o que mudou.
- Usar o nome interno do cargo (“Engenheiro de Software III”) no título da experiência.
- Colocar métrica que não é sua, de um time maior. Se o número é do time, diga que foi do time.
Para escolher o que vai no bloco de competências, o perfil do LinkedIn para desenvolvedor mostra a headline e o Sobre na mesma lógica. Quem trabalha com suporte pode ler o perfil do LinkedIn para suporte de TI, e quem trabalha com entrega contínua tem o perfil para DevOps.
O que o pacote faz com as experiências de TI
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Perguntas frequentes
Preciso colocar a stack inteira no bullet?
Só a tecnologia que produziu o resultado do bullet. A lista completa vai na seção de competências e, em frase, no Sobre. Bullet com seis ferramentas vira lista de compras, e o recrutador técnico não sabe qual delas você domina de verdade.
Não tenho métrica de produção. O que escrevo?
Use escopo e frequência: quantos sistemas você manteve, quantas integrações criou, quantos usuários atendia, quantos deploys fez por semana. Se o projeto não chegou à produção, diga em que fase ele parou. Nunca invente latência, uptime ou percentual de cobertura de teste.
Projeto pessoal e open source entram na experiência?
Entram na seção de projetos quando não foram trabalho. Entram como experiência só quando foram a sua atividade principal no período, com data e bullets. Um repositório público com README claro vale mais que um bullet genérico; coloque o link no projeto, não no texto do cargo.
Sou analista de TI, mas meu trabalho é mais de processo. Como descrevo?
Descreva o processo com a ferramenta e o efeito: chamados, SLA, documentação, automação de rotina. Analista de suporte que escreveu procedimentos que reduziram chamados tem um bullet forte mesmo sem programar. O título continua sendo o cargo de mercado, como Analista de Suporte N2.
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