Clichê no perfil do LinkedIn é palavra que serve pra qualquer pessoa, como “proativo”, “apaixonado” e “focado em resultados”, e por isso o recrutador passa por ela sem reter nada. Pra tirar cada uma, troque o adjetivo por um fato que você consegue explicar: o que você fez, em que escala e em que contexto.
Quais palavras tirar do perfil do LinkedIn?
A tabela reúne 25 clichês comuns em perfis e uma troca concreta pra cada um. Os exemplos são ilustrativos: as empresas, os números e os prazos são inventados, e você substitui pelos seus. Onde aparece “(ilustrativo)”, o número é fictício.
| Clichê | Por que não diz nada | Troca concreta |
|---|---|---|
| Proativo | Afirma uma atitude, mas não mostra nenhuma ação | Identifiquei a divergência de estoque na contagem de março e propus o ajuste antes do fechamento |
| Apaixonado | Diz o que você sente, não o que você faz | Trabalho com análise de vendas desde 2019 e monto um painel novo quando um relatório deixa de servir |
| Focado em resultados | Todo cargo foca em resultado; a frase não diz qual | Bati a meta trimestral de renovação de contratos em três dos últimos quatro trimestres (ilustrativo) |
| Profissional dinâmico | Dinâmico em relação a quê? Nenhuma pista | Coordeno a escala de doze atendentes em três turnos, com troca de turno sem fila de espera |
| Multitarefa | Descreve um modo de trabalhar, sem dizer quais tarefas | Cuido do contas a pagar e do fechamento de caixa, dois processos que rodavam em planilhas separadas |
| Comunicativo | Qualidade sem evidência; a comunicação aparece pelo resultado | Apresento o resultado mensal de vendas à diretoria, com três indicadores e um plano de ação |
| Responsável | Todo profissional é responsável; a palavra não delimita nada | Respondo pelo fechamento mensal de quatro lojas e pela conferência dos estoques de cada uma |
| Experiência sólida | Sólida em quê, e por quanto tempo? | Seis anos em logística de distribuição, com operação de centro com três docas |
| Inovador | Quase sempre é um rótulo; não diz o que mudou | Troquei o relatório manual de cobrança por um painel no Power BI, atualizado toda manhã |
| Mente aberta | Qualidade declarada, sem comportamento que a comprove | Aprendi Python sozinho em oito meses e hoje automatizo a limpeza de dados da equipe |
| Facilidade de relacionamento | Não diz com quem nem em que situação | Atendo clientes de contas grandes por telefone e e-mail, com retorno no mesmo dia útil |
| Trabalho em equipe | Aparece em quase todo perfil e não diz quem era a equipe | Dividi a entrega do projeto de migração com três áreas: TI, compras e fiscal |
| Visão estratégica | Afirma uma visão, mas não mostra um plano | Montei o plano de reposição de estoque com três cenários de demanda, aprovado pela diretoria |
| Players do mercado | Gíria que não aponta empresa nenhuma | Trabalhei com fornecedores de porte nacional, como distribuidoras de bebidas e de limpeza |
| Expert | Quem decide que é expert? A frase não prova | Uso Excel com tabelas dinâmicas e macros pra montar o orçamento de três áreas |
| Guru ou ninja de Excel | Apelido de autoelogio, sem tarefa por trás | Monto modelos de fluxo de caixa com fórmulas condicionais e validação de dados |
| Em busca de novos desafios | Todo mundo busca; não diz para qual vaga | Procuro vaga de analista de planejamento em indústria, com trabalho híbrido em São Paulo |
| Paixão por pessoas | Sentimento no lugar de uma atividade | Treinei dezoito atendentes no novo sistema de chamados, com avaliação no fim de cada módulo |
| Mindset de dono | Atitude que não aparece em nenhuma entrega | Assumi o processo de compras de ponta a ponta e reduzi o prazo de aprovação de pedidos |
| Agregar valor | Valor pra quem, e medido como? | Reduzi de nove para quatro dias o prazo de fechamento contábil da filial |
| Alavancar | Verbo de planilha de apresentação; não diz o que mudou | Aumentei a conversão da campanha de e-mail trocando o assunto e o horário de envio |
| Sinergia | Palavra abstrata que ninguém consegue checar | Trabalho com as equipes de compras e de estoque na previsão semanal de reposição |
| Atenção aos detalhes | Todo profissional diz isso; a prova é o que você checa | Revisei os contratos antes da assinatura com checklist de cláusulas e prazos |
| Know-how | Palavra importada que esconde a prática | Conheço o processo de importação na prática: despacho, prazos e documentos de cada modal |
| Desenvolvido ao longo da carreira | Não diz nada; o currículo já mostra a carreira | Remova a frase e use o espaço para uma entrega concreta de um dos últimos cargos |
Como trocar um clichê sem perder o sentido?
Pergunte o que aconteceu por trás da palavra. “Proativo” esconde uma situação em que você viu o problema antes de alguém pedir, e essa situação tem data, área e resultado. Escreva a situação, e a palavra some sozinha. Quando não lembrar de nenhum caso, a palavra provavelmente não é sua, e tirá-la é a decisão certa.
- Marque cada adjetivo do Sobre e da headline.
- Para cada um, escreva a situação real em que ele apareceu.
- Troque a palavra pela situação, com verbo de ação e um número quando houver.
- Remova o que não tem situação por trás.
Onde os clichês pesam mais?
Headline e Sobre são os campos onde cada palavra aparece antes de qualquer outra informação, e por isso são os que mais sofrem. A headline tem até 220 caracteres e não sobra espaço pra enfeite. No Sobre, as duas primeiras frases são as únicas que o leitor vê antes do “ver mais”. Nas experiências, o mesmo clichê some em meio aos resultados, mas ainda pesa quando ocupa o lugar de um bullet.
Se você quer ver como um perfil fica depois dessa limpeza, o guia antes e depois de cinco perfis do LinkedIn mostra a troca frase por frase, com a nota de cada versão.
Quais termos da vaga podem ficar no lugar dos clichês?
Os termos que a vaga usa são os melhores substitutos. Se a vaga pede “gestão de estoque” e “indicadores de desempenho”, esses termos entram no Sobre, desde que você tenha feito isso de fato. A diferença entre uma palavra da vaga e um clichê é a prova: a palavra da vaga vem com o caso, e o clichê vem sozinho. O uso de palavras-chave é explicado em palavras-chave do LinkedIn.
Qual o próximo passo depois de limpar o texto?
Depois da limpeza, releia o perfil no celular. Frase que sobrou em branco é frase que ainda não tem fato. Um teste simples: peça a alguém da área pra ler o Sobre sem contexto e dizer três coisas que você faz. Se a pessoa não conseguir, a troca ainda não ficou concreta.
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Perguntas frequentes
Se todo mundo usa esses clichês, o recrutador nem repara?
Repara, e é justamente por isso que eles não ajudam. Uma palavra que aparece em muitos perfis não diferencia nenhum deles. O recrutador lê o texto procurando algo específico, e clichê é o contrário de específico: ele passa pelo olho sem deixar lembrança.
Posso manter um adjetivo se eu realmente sou assim?
Pode, desde que o adjetivo venha acompanhado de um fato que o comprove. “Organizado” sozinho não diz nada; “organizo a escala de três turnos com planilha compartilhada” diz. Se você não consegue citar o fato, a palavra provavelmente é um enfeite.
Quantos clichês posso usar no mesmo perfil?
Nenhum no Sobre e na headline, que são os campos lidos com mais atenção. Nas experiências, o problema é menor, porque o recrutador lê os bullets atrás de resultado. Ainda assim, uma palavra vazia por bullet já é suficiente pra tirar o peso da frase.
Trocar tudo por jargão técnico resolve?
Não. Jargão sem contexto é outro tipo de texto vazio, porque só quem está na área entende e nem sempre o recrutador é desse time. Use o termo técnico quando ele for a palavra da vaga, e sempre ao lado do que você fez com ele.
Como saber se a troca ficou boa?
Leia a frase em voz alta e pergunte: alguém com o mesmo cargo poderia assinar isso? Se a resposta for sim, a frase ainda é genérica. Se só você poderia dizer aquilo, com aqueles números e aquele contexto, ela está no caminho certo.
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