Depois dos 50, o perfil costuma travar na headline com tempo de carreira no lugar de cargo, e no histórico que vai até o primeiro emprego. O LinkedIn não tem campo de idade. O perfil mostra o que você faz hoje, com as datas certas e a competência na frente, e é isso que o recrutador busca.
O que o perfil entrega sem você escrever a idade
Idade aparece em três lugares: a data de formação, a data do primeiro cargo e a quantidade de anos citada no texto. Nenhum dos três é obrigatório como está. A formação de 30 anos atrás não precisa de ano para ser útil, e o primeiro emprego não precisa estar na lista. Não se trata de esconder quem você é. Trata-se de decidir o que o perfil precisa mostrar para a vaga de hoje.
Os últimos 10 a 15 anos são a vitrine
Experiências recentes ganham o trabalho: cargo, empresa, período e de três a cinco bullets com resultado. O que vem antes pode ser resumido. Isso é comum em currículo de executivo e não é desonesto, desde que as datas batam e nenhum cargo some por inteiro de um lado e aparece do outro. Exemplo de como ficaria o histórico antigo (ilustrativo):
- Consultor de vendas, 1996 a 2003: uma linha, com a empresa e o cargo
- Supervisor de loja, 2003 a 2009: uma linha, sem bullets
- Coordenador de compras, 2009 a 2014: dois bullets com o que mais pesa para o cargo alvo
Cada bullet segue o formato da casa: verbo no passado, o que você fez e o resultado com número. Se o resultado é antigo e você não tem o número exato, escreva o tamanho da operação (“equipe de 9 pessoas”, “carteira de 40 clientes”). Número de porte também conta como prova. Como descrever a experiência no LinkedIn mostra o formato completo.
Headline: competência no lugar do tempo
A headline é o lugar onde o tempo de carreira mais atrapalha. “Mais de 30 anos” não é cargo, não é área e não é prova; é um número que o recrutador lê como idade. A fórmula é a mesma de qualquer perfil: cargo alvo, área, uma prova. Abaixo, seis trocas (números ilustrativos, use os seus).
| Antes | Depois |
|---|---|
| Profissional com mais de 30 anos de experiência em vendas | Gerente Comercial | Vendas B2B industriais | Equipe de 9 pessoas, meta batida 4 anos seguidos |
| Experiente em logística, com muita vivência no mercado | Gerente de Logística | Distribuição e armazenagem | Custo por entrega reduzido em 14% |
| Engenheiro sênior com décadas de estrada | Engenheiro de Manutenção | Plantas químicas | Paradas não programadas caíram 30% em 2 anos |
| Contadora com longa trajetória e referência no mercado | Controller | Fechamento mensal e tributos | Fechamento em 5 dias úteis em 3 empresas |
| Professor veterano, apaixonado por educar | Coordenador Pedagógico | Ensino médio e EJA | Aprovação no Enem subiu de 58% pra 74% |
| Profissional de RH com grande bagagem | Gerente de Pessoas e Cultura | Indústria, 600 colaboradores | Turnover de 38% pra 22% em 2 anos |
Repare no que sumiu: os adjetivos (“veterano”, “referência”, “estrada”) e o tempo. O que ficou é o que o recrutador filtra. Se o seu cargo alvo é mais alto que o último, use a lógica da transição de carreira para decidir como escrever o degrau.
Competências que mostram o trabalho de hoje
A casa recomenda 50 competências, com as 15 prioritárias do cargo alvo no topo e 3 em destaque. Para quem tem mais tempo de carreira, essa lista é a parte mais fácil de atualizar, porque é onde ferramentas novas entram sem exigir que você reescreva o histórico. Exemplos de competências que um recrutador filtra hoje e que costumam faltar em perfis antigos: Excel avançado, Power BI, o sistema de gestão da área (ERP, CRM, WMS), metodologias como Scrum ou Lean e, quando faz sentido, ferramentas de IA para rotina de trabalho.
Cursos recentes também contam. Eles vão para a seção de licenças e certificados, com ano, e mostram que o conhecimento da área continua em dia. Não é preciso listar todo curso feito em 1998. Veja quais competências colocar para a lista de escolha.
Experiência longa não é problema de formato
Um perfil de trinta anos cabe no LinkedIn. O que não cabe é a lista inteira com o mesmo peso. Dê destaque ao que serve à vaga de hoje, deixe o resto como registro e lembre que o perfil é lido no celular, onde bullet curto rola melhor que parágrafo longo. Se a sua área mudou muito, a seção de competências mostra a atualização sem reescrever o histórico.
O que não fazer
- Não escreva a idade ou o “tempo de estrada” no Sobre. Uma frase de carreira com o que você faz hoje basta.
- Não use foto de anos atrás. A foto atual, de rosto e ombros, é o que mais envelhece um perfil de forma visível.
- Não deixe o último cargo com data aberta.Um cargo “atual” que acabou há meses vira a primeira pergunta do recrutador. Feche a data.
- Não copie o currículo de 1995. Uma linha por cargo antigo é mais legível que três bullets de tarefas que ninguém mais executa.
E no currículo?
O mesmo cuidado vale pro arquivo que você envia numa candidatura. Currículo de experiência longa cabe em duas páginas, com o que é relevante para a vaga em primeiro lugar. O AjustaCV reescreve o currículo pra vaga e, no ajuste pra vaga, mostra o score ATS antes e depois de cada mudança. A regra de consistência não muda: as datas e os cargos do currículo e do LinkedIn precisam ser os mesmos, como explica o post sobre LinkedIn ou currículo.
Um perfil atual, do jeito que você já trabalha
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Perguntas frequentes
Preciso tirar anos de experiência do LinkedIn depois dos 50?
Não precisa apagar nada. As datas são fatos e têm que bater com o currículo. O que muda é o peso: os últimos 10 a 15 anos ganham descrição completa, e o que vem antes pode ficar resumido em uma linha por cargo. Você escolhe o que detalhar, sem mentir sobre o que aconteceu.
Devo colocar o ano de formação no LinkedIn?
Se o campo aceitar vazio, pode deixar vazio para diplomas antigos. Curso e instituição continuam valendo. Certificações e cursos recentes devem ter ano, porque é isso que mostra que você está atualizado.
Vale colocar “mais de 25 anos de experiência” na headline?
Na maioria dos casos, não. O recrutador busca cargo e competência, não tempo de carreira, e o número sozinho deixa a leitura pesada. Se o tempo for um diferencial real, coloque a prova junto, como “15 anos em gestão de operações”, e deixe a idade de fora.
Pessoas mais velhas conseguem vaga pelo LinkedIn?
O perfil não garante vaga nenhuma. O que ele controla é aparecer na busca certa e convencer quem abre. Um perfil atual, com as competências de hoje e resultados com número, responde a essa leitura sem precisar falar de idade.
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