O Sobre de quem tem negócio próprio diz o que o negócio faz, para quem, e qual passo você quer que o leitor dê: falar com você ou aceitar uma conversa sobre vaga. Se o objetivo é cliente, o texto fala com quem compra. Se é vaga, ele mostra o que você fez à frente do negócio.

Cliente ou vaga: escolha antes de escrever

Quem tem negócio costuma começar o Sobre pela história da empresa, e aí o texto vira um folheto. Quem lê o perfil não procura folheto. Ele quer saber se o que você faz serve para ele agora. Por isso, o primeiro passo é decidir quem deve ler e o que deve fazer depois. Um confeiteiro que quer encomendas de festa e um gerente de operações que quer voltar a trabalhar com carteira assinada têm textos diferentes, mesmo com a mesma bagagem por trás.

A escolha aparece em três lugares: a primeira frase, o penúltimo parágrafo e a chamada final. Se o objetivo é cliente, a chamada convida para uma conversa ou um orçamento. Se é vaga, ela pede uma conversa sobre a função. As duas coisas não cabem bem no mesmo parágrafo, e a tentativa de cobrir as duas costuma deixar as duas sem resposta. Quem ainda está em dúvida entre as duas pode começar pela headline para empreendedor, que faz essa mesma escolha na linha de cima do perfil.

A primeira frase: o que o negócio faz, em uma linha

Antes de qualquer história, escreva uma frase que diga o serviço ou o produto, o público e o resultado que você entrega. Essa frase sozinha já responde ao que o cliente ou o recrutador procura. As outras linhas do Sobre só ampliam o que ela promete. Ela deve ter quatro partes, nesta ordem:

  • O que você faz, com um verbo de ação: fabrico, ensino, organizo, vendo, instalo.
  • Para quem: o tipo de cliente ou de empresa, sem uma lista com todos os públicos possíveis.
  • Qual problema sai resolvido: a festa que chega no prazo, a planilha que fecha no dia.
  • Onde você atende: cidade, região ou modelo remoto, em uma linha.

Uma frase com essas quatro partes aparece inteira na prévia do perfil, antes de o leitor abrir o texto completo. Se ela não cabe nelas, o problema costuma ser de foco, e não de tamanho.

Exemplo para cliente: a confeitaria que fecha encomendas

Imagine uma confeiteira chamada Helena Prado, dona de um pequeno ateliê de bolos e doces para festas em Curitiba. Ela quer que o perfil traga encomendas de casamento e de aniversário. Este é um Sobre possível para ela (ilustrativo, a pessoa e o negócio são inventados):

Faço bolos e doces para festas em Curitiba há seis anos. Trabalho com encomendas de aniversário, casamento e eventos corporativos, com entrega no prazo e degustação antes do pedido. Se você está organizando uma festa e quer um bolo que chegue inteiro e tenha o sabor do convite, me mande uma mensagem. Respondo no mesmo dia útil e passo o orçamento com o prazo de produção.

O texto diz o serviço, a cidade, o tipo de pedido e o que acontece depois da mensagem. Não tem lista de qualidades nem a frase sobre paixão por doces, que quase todo mundo escreve e ninguém prova. Ele também não tenta vender consultoria para quem quer bolo, porque o leitor certo já sabe o que procura.

Exemplo para vaga: quem fechou o negócio e volta ao mercado

Agora um caso de vaga. Rodrigo Teixeira teve uma loja de materiais de construção numa cidade do interior, com quatro funcionários, e cuidava pessoalmente das compras (ilustrativo, o caso é inventado). Depois de fechar a loja, quer trabalhar como analista de compras. O Sobre dele precisa mostrar que a experiência de compra e de fornecedor não desapareceu junto com o negócio.

Por nove anos fui dono de uma loja de materiais de construção, responsável por compras, estoque e relacionamento com fornecedores. Negociei prazos e condições com mais de vinte fornecedores e aprendi a ler uma tabela de custo antes de fechar o pedido. Hoje busco uma vaga de analista de compras, de preferência em indústria ou distribuição. Se a sua equipe contrata nessa área, eu gostaria de conversar.

Repare no que o texto não faz. Não anuncia que a loja fechou, não pede desculpa e não diz que está aberto a qualquer oportunidade. O fechamento aparece na experiência, com as datas. O Sobre fala do que ele sabe fazer e do lugar para onde quer ir.

Tabela: o que muda entre cliente e vaga

CritérioSe o objetivo é clienteSe o objetivo é vaga
Primeira fraseO serviço, o público e a cidadeA área ou o cargo que você busca
ProvaTipo de entrega e clientes atendidosResponsabilidades e resultados do negócio
Chamada finalPedir o orçamento ou a mensagemPedir uma conversa sobre a função
Palavras que a busca usaO que o cliente digita, como bolo para festaO que o recrutador digita, como analista de compras

A tabela não é uma regra fixa. Ela serve para checar se o texto responde ao leitor certo. Se a chamada final fala com cliente e a primeira frase fala com recrutador, o texto não fecha e precisa ser revisto antes de publicar.

Erros comuns de quem tem negócio próprio

Os erros mais frequentes não vêm de falta de conteúdo. Eles vêm de excesso de cuidado com a empresa e de pouco cuidado com o leitor. Estes são os que mais aparecem quando alguém reescreve o próprio Sobre:

  • Começar pela fundação da empresa, com ano e história, antes de dizer qual serviço ela presta.
  • Listar todos os produtos num parágrafo só, sem dizer qual é o principal.
  • Usar frases como “o melhor do mercado”, que o leitor não consegue checar em lugar nenhum.
  • Pedir cliente e vaga na mesma frase, deixando o leitor sem saber qual é o convite.
  • Terminar sem chamada, como se o perfil fosse um cartão de visita guardado na gaveta.

Um teste simples ajuda a identificar o problema: leia o Sobre e pergunte qual é a primeira coisa que o leitor pode fazer depois de terminar. Se a resposta for “nada”, o texto ainda está escrito para você.

Como o negócio entra na experiência do perfil

Se o negócio ainda está aberto, ele entra como experiência atual, com o cargo de dono ou sócio e uma descrição do que você faz no dia a dia. Se já fechou, o período precisa ter fim, e o texto da experiência conta o que foi entregue enquanto ele existia. O guia sobre empresa que fechou no LinkedIn mostra como manter a experiência sem esconder o período. Para escrever cada bullet, o modelo de como descrever experiências ajuda a sair da lista de tarefas e chegar ao resultado.

No Sobre, a frase sobre o presente é a que importa. Diga o que você faz agora, mesmo que seja um projeto, um freelance ou a própria busca. Um texto que fala só do passado deixa o leitor tentando adivinhar o que ele pode fazer hoje.

Checklist antes de publicar o Sobre

  1. A primeira frase diz o que você faz, para quem e onde.
  2. O objetivo, cliente ou vaga, aparece no primeiro parágrafo.
  3. Há uma prova concreta: um tipo de cliente, um volume ou uma responsabilidade.
  4. Todo número inventado tem a marca de ilustrativo na mesma seção.
  5. O texto cabe no limite de 2.600 caracteres do Sobre e termina com uma chamada.
  6. A experiência do negócio tem nome, período e descrição alinhados ao Sobre.
  7. Você leu em voz alta e não encontrou frase de efeito que não diz nada.

Para comparar com outros textos, os exemplos do guia de Sobre do LinkedIn com doze exemplos prontos por área servem de referência, desde que você troque cada frase pela sua. Os menus do LinkedIn mudam entre o aplicativo e o computador, então o caminho até o campo Sobre pode variar um pouco de um aparelho para outro.

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Perguntas frequentes

Dono de negócio pode escrever o Sobre na primeira pessoa?

Pode, e costuma ser o mais claro. Na primeira pessoa você diz o que faz e por que se importa com isso, sem soar como página institucional. A terceira pessoa só faz sentido quando o texto é de uso de uma empresa grande, com porta-voz definido. Em qualquer caso, o leitor precisa entender em duas frases o que o negócio resolve.

Devo colocar o nome da minha empresa no Sobre?

Coloque se ela é a marca que o cliente ou o recrutador já conhece. Se você ainda não tem uma marca forte ou prefere manter a empresa fora da busca, descreva o serviço e a cidade e deixe o nome para a seção de experiência, onde ele aparece com datas. O que não funciona é repetir o nome em todas as linhas do texto.

Como mostrar que o negócio fechou sem parecer desempregado?

Na experiência, marque o negócio como encerrado, com o período real, e conte o que ele entregou enquanto existiu. No Sobre, fale do que você faz agora ou do que está buscando. Quem lê quer saber o que você sabe fazer hoje, e um negócio que terminou também é prova disso.

Vale usar o Sobre para oferecer serviço e também para buscar vaga?

Só se o texto tiver uma ordem clara. Escolha o objetivo principal no primeiro parágrafo e deixe o outro como uma frase no fim. Um Sobre que tenta vender e pedir emprego ao mesmo tempo confunde os dois públicos, e cliente e recrutador saem do texto sem saber o que fazer.

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