O Lattes é o currículo completo do pesquisador, com toda a produção acadêmica. O LinkedIn é o perfil curto que empresas e outras instituições procuram por palavras. Não é preciso escolher um: é preciso traduzir o histórico de um para o outro. O mesmo histórico vira um Sobre de cinco linhas, uma seção de projetos e três publicações em destaque.

Dois leitores diferentes para a mesma pessoa

A plataforma Lattes é mantida pelo CNPq e é o formato que editais e programas de pós-graduação costumam pedir. O LinkedIn é uma rede profissional aberta a qualquer empresa. Por isso, o erro mais comum é copiar o Lattes para o perfil: a lista inteira de produção, sem nenhuma frase que diga o que você faz fora da universidade.

CritérioLattesLinkedIn
Quem lêBancas, comitês de editais, programas de pós-graduação e pares da áreaRecrutador de indústria, gestor, empresa de tecnologia e cliente
TamanhoLongo, com toda a produção, orientações e participação em bancasCurto, com headline, Sobre e experiências em poucas telas
LinguagemFormal, com títulos de produção no padrão acadêmicoDireta, com o que você resolve e para quem
Como é encontradoPelo nome e pela área de pesquisaPelas palavras do cargo, da competência e do setor

O que o Lattes guarda e o LinkedIn não precisa

O Lattes registra tudo: cada artigo, capítulo, orientação concluída, banca, projeto e prêmio. Essa é a função dele. No LinkedIn, esse volume atrapalha a leitura de quem tem poucos segundos para decidir. Cinco tipos de item fazem o trabalho de cinquenta quando são traduzidos:

  • Orientações e bancas: viram uma linha de experiência com o tema e a frequência, e não a lista inteira.
  • Artigos: viram três publicações em destaque, escolhidas pela relevância para o cargo.
  • Títulos acadêmicos: entram na formação, com o ano e a instituição.
  • Projetos financiados: viram projeto com o seu papel, o prazo e o resultado, sem a sigla do edital.
  • Idiomas e bolsas: ficam em seções próprias, quando a vaga pede.

O que o LinkedIn pede e o Lattes não diz

O LinkedIn precisa de três coisas que o Lattes não tem: uma headline com o cargo que você busca, um Sobre em primeira pessoa e competências que o recrutador consegue filtrar. Sem elas, o perfil some na busca, mesmo com produção de primeira linha. A headline segue a fórmula de cargo, área e prova, em até 220 caracteres. As frases que mais enfraquecem esse texto, como as de sempre “apaixonado por inovação”, estão listadas em clichês no perfil do LinkedIn.

Como traduzir: da produção para o projeto

  1. Escolha a vaga-alvo e leia dez anúncios, anotando as palavras que se repetem.
  2. Escreva em uma frase o problema que a sua linha de pesquisa resolve, sem o jargão do edital.
  3. Transforme cada projeto em uma linha com o seu papel, o método e o resultado.
  4. Escolha três publicações que conversam com o cargo e deixe as outras no Lattes.
  5. Reescreva o Sobre em primeira pessoa, com o que você faz hoje e o que busca.

O ponto de partida costuma ser a sua linha de pesquisa, porque ela já tem um problema e um método. Basta trocar a pergunta do edital pela pergunta da empresa.

Exemplo: de pesquisadora para desenvolvimento de produto (ilustrativo)

Uma pesquisadora de química de alimentos (exemplo ilustrativo: nome, instituição e números são inventados) quer uma vaga de desenvolvimento de produto numa indústria. No Lattes, a produção está completa, com artigos em periódicos e capítulos. No LinkedIn, ela escreve o que a indústria entende:

Desenvolvi uma formulação de bebida vegetal com estabilidade testada em três ciclos de produção, em parceria com um laboratório de processos (ilustrativo).

Ela manteve a produção científica no Lattes e colocou no perfil só o que fala com a indústria: o método, o teste de estabilidade e a parceria.

Headline e Sobre para quem vem da academia

Muitos pesquisadores começam o perfil pelo título, e é aí que a busca perde o leitor. Quem contrata para indústria procura o cargo e a aplicação, não a trajetória. Se você quer ser encontrado como analista ou desenvolvedor, a primeira palavra da headline precisa ser o cargo que a vaga usa, e não a formação.

A headline tem cargo, área e prova. Um modelo ilustrativo: “Pesquisadora em química de alimentos | Formulação e testes de estabilidade | Três projetos aplicados com a indústria”. O Sobre diz o que você faz, o método que usa e o que busca. Para a mudança completa, o guia de LinkedIn pra sair da academia explica o passo a passo, e os exemplos de Sobre estão em Sobre do LinkedIn com exemplos prontos.

Manter os dois alinhados sem copiar

Lattes e LinkedIn podem contar a mesma história com ênfases diferentes, mas não podem se contradizer. Cargo, datas, instituição e título precisam bater nos dois. Se a vaga pede currículo de uma página, o AjustaCV monta essa versão a partir do que você já escreveu. Para ver como os dois documentos se encaixam na mesma candidatura, leia currículo e LinkedIn para a mesma vaga.

Checklist antes de publicar o perfil

  • Headline com o cargo que a vaga pede, em até 220 caracteres.
  • Sobre em primeira pessoa, com o que você faz e o que busca.
  • Três publicações em destaque, escolhidas pelo cargo.
  • Projetos com papel, método e resultado, sem sigla de edital.
  • Datas, instituição e título iguais aos do Lattes.

Pra fechar: o perfil de pesquisador que a busca encontra

Se o seu perfil ainda é só o Lattes em texto corrido, comece pela headline e pelo Sobre. O pacote do AjustaLinkedIn entrega três headlines, o Sobre em primeira pessoa, as experiências em bullets e 50 competências por R$ 9,90, em pagamento único, para você colar campo por campo. A análise grátis mostra a nota atual em cinco categorias, sem cadastro, e aponta o que melhorar primeiro.


Perguntas frequentes

Preciso tirar as publicações do Lattes para colocar no LinkedIn?

Não. Deixe a lista completa no Lattes, que é a fonte que o meio acadêmico consulta. No LinkedIn, mostre três ou quatro publicações que conversam com a vaga, com título, ano e veículo. O restante continua no Lattes, e você pode citá-lo no perfil quando fizer sentido.

O Lattes serve como currículo para empresa?

Pode servir de base, mas raramente funciona sozinho. Ele é longo e formal, e o recrutador de indústria procura o que você resolveu. Monte uma versão de uma a duas páginas, com as experiências fora da academia e os projetos aplicados em primeiro lugar.

Doutorado entra na headline?

Entra quando o cargo pede pesquisa ou desenvolvimento e o título é valorizado. Para as demais vagas, ele fica na formação, com o ano e a instituição. Uma headline que começa pelo título pode afastar quem contrata para funções operacionais ou de gestão.

Quantas competências cadastrar sendo pesquisador?

Até 50, que é o limite do LinkedIn. Escolha as que aparecem nas vagas que você quer, como métodos analíticos, gestão de projetos, redação técnica e o software que você usa de fato. Coloque as três mais fortes no topo da lista.

Quer seu perfil LinkedIn escrito pro cargo que você quer?

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