Cada palavra da vaga entra em lugares diferentes: no perfil, na headline e nas competências; no currículo, na linha de cargo e nos bullets. A regra é a mesma nos dois: a palavra fica onde descreve um fato seu, nunca numa lista solta, e o cargo sempre aparece no topo.
Duas leituras, duas portas
O perfil é lido pela busca do recrutador, que digita um cargo, aplica filtros de competência e localização e recebe uma lista. O currículo é lido pelo filtro de uma vaga específica. As palavras são parecidas, mas a porta é outra, e cada documento precisa abrir a sua com o termo no lugar certo.
Por isso não existe uma lista única de palavras. Existe uma lista da vaga, que você separa, e duas formas de encaixá-la: uma no perfil e outra no currículo. O post sobre palavras-chave do LinkedIn cuida do perfil em detalhe; aqui o foco é o encaixe entre os dois.
Passo 1: separe as palavras da vaga
Pegue três vagas do cargo que você quer e anote os termos que se repetem. Não anote adjetivos (“dinâmico”, “proativo”): eles não são filtro. Anote o que é substantivo, ferramenta ou processo. Agrupe por tipo e veja onde cada um costuma entrar:
| Tipo | Exemplo | No perfil | No currículo |
|---|---|---|---|
| Cargo | Analista de Dados Pleno | Headline e título do cargo nas experiências | Linha de cargo no topo e título da experiência |
| Ferramenta | SQL, Power BI | Competências e bullets | Bullets, com o que você fez com a ferramenta |
| Processo | ETL, fechamento mensal | Sobre e bullets | Resumo e bullets |
| Certificação | Scrum Master | Competências e seção de certificações | Seção de certificações, se a vaga pedir |
| Idioma | Inglês avançado | Idiomas, com o nível declarado | Seção de idiomas, e no resumo só se a vaga exigir |
| Setor | varejo, indústria | Sobre e experiências | Resumo, na frase sobre o contexto |
Passo 2: o cargo vai no topo dos dois
O cargo é o termo mais importante e o que mais erra. No perfil, ele deve estar na headline, porque é o primeiro filtro da busca. No currículo, ele é a linha logo abaixo do nome. Se as três vagas usam nomes diferentes, escolha o mais frequente e use os outros no Sobre ou no resumo, entre parênteses ou numa frase de contexto.
Passo 3: o Sobre e o resumo contam a história
No Sobre e no resumo, a palavra entra numa frase que diz o que você faz e em que contexto. Uma frase que começa com “analista de dados em varejo, com rotina de fechamento em SQL” leva três termos e ainda é lida como texto. Uma lista de dez palavras separadas por vírgula não é.
Passo 4: a experiência é onde a palavra ganha prova
O bullet é o lugar mais forte para um termo da vaga, porque ele junta a ferramenta com o que você fez e o resultado. A troca é a mesma do resto do perfil: verbo no passado, o termo da vaga, um número seu. Exemplos ilustrativos, use os seus:
Antes: Fazia relatórios no Excel toda semana para a diretoria.
Depois: Automatizei o relatório semanal da diretoria em SQL e Power BI, que levava um dia e passou a sair em duas horas (número ilustrativo, use o seu).
Antes: Cuidava da base de clientes e da limpeza de dados.
Depois: Padronizei a base de 40 mil clientes com ETL em Python e reduzi em 30% os cadastros duplicados (número ilustrativo, use o seu).
Passo 5: competências, a lista que a busca lê
As competências são a parte mais direta do perfil para o filtro do recrutador. O LinkedIn aceita até 100, mas a recomendação da casa é chegar a 50 bem escolhidas, com as 15 prioritárias do cargo no topo e três em destaque. Use as palavras exatas que as vagas repetem, sem traduzir por conta própria. O guia de competências do LinkedIn ajuda a escolher quais entram na lista.
Mesma vaga, perfil e currículo lado a lado
Um exemplo fictício de uma vaga de analista de dados pleno, com SQL, Power BI e ETL. Os textos são ilustrativos, e o número é de exemplo:
| Local | No perfil LinkedIn | No currículo |
|---|---|---|
| Headline | Analista de Dados | SQL e Power BI | Fechamento mensal em varejo | Não se aplica; a linha de cargo fica no topo do currículo |
| Linha de cargo | Não se aplica; o perfil não tem essa linha | Analista de Dados Pleno | SQL, Power BI e ETL |
| Sobre ou resumo | Analista de dados em varejo, com rotina de fechamento em SQL e painéis de vendas | Analista de dados com 5 anos em varejo, foco em SQL, ETL e painéis de vendas |
| Experiência (bullet) | Automatizei o relatório mensal de vendas em SQL e Power BI (número ilustrativo, use o seu) | Automatizei o relatório mensal de vendas em SQL e Power BI, de 2 dias para 2 horas (número ilustrativo, use o seu) |
| Competências | SQL, Power BI, ETL e fechamento contábil, nas 15 primeiras | Seção de competências com as mesmas palavras, sem repetir a lista inteira |
Repare que a palavra não se repete em cada linha do mesmo jeito. O perfil diz o cargo e as competências; o currículo diz o cargo e o que foi feito com as ferramentas. Se você colar o mesmo parágrafo nos dois lugares, o recrutador percebe que o texto não foi escrito pra ele.
O que não fazer
- Encher o Sobre de termos. Uma lista de palavras fora de frase parece tentativa de manipular a busca, e cansa quem lê.
- Colar a descrição da vaga. Ela fala com a empresa, não com você. Pegue os termos e escreva frases suas.
- Repetir a mesma palavra em cinco bullets seguidos. Use a palavra onde ela tem fato por trás. Nos outros bullets, use o resultado e o verbo.
- Colocar uma ferramenta que você não domina. Ela aparece na primeira pergunta da entrevista, e a conversa fica curta.
Checklist: a palavra entrou nos lugares certos?
- Headline: o cargo que as vagas usam está lá, de preferência com uma área ou prova?
- Primeiras linhas do Sobre: os termos principais aparecem numa frase que diz o que você faz?
- Competências: as 15 prioritárias estão no topo, com as palavras exatas da vaga?
- Currículo: a linha de cargo e o resumo batem com a vaga, e cada termo tem um fato por trás?
- Bullets: pelo menos dois dos termos aparecem em bullets com número seu?
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Quando a vaga pede o que você não tem
Nem toda palavra da vaga deve entrar no seu perfil. Se a descrição pede uma ferramenta que você não usa, o caminho honesto é mostrar o que você sabe e, se quiser, estudar a ferramenta antes da entrevista. Um perfil que promete tudo atrai a busca e decepciona na conversa. Vale também olhar a lista de palavras-chave pra currículo do AjustaCV pra ver os termos que se repetem por área, sem copiar nenhum deles sem fato por trás.
Onde procurar o que o recrutador busca
O recrutador filtra por cargo atual e anteriores, competências, localização e setor. Se a sua palavra não está em nenhum desses campos, ela não existe pra busca, por mais que esteja no Sobre. O guia de como o recrutador busca no LinkedIn mostra a mecânica. E se o perfil e o currículo ainda não batem, o post sobre currículo e LinkedIn pra mesma vaga explica o que deve ser igual e o que deve mudar.
O perfil com as palavras certas, pronto pra colar
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Perguntas frequentes
Preciso repetir as mesmas palavras no perfil e no currículo?
Os termos principais, sim, quando a vaga pede. O que muda é o lugar e o formato. No perfil a palavra aparece na headline, nas competências e no Sobre. No currículo ela aparece na linha de cargo, no resumo e nos bullets, sempre ligada a um fato seu.
Quantas palavras da vaga devo colocar no currículo?
Não existe um número mágico, e quem vende um número está chutando. Coloque os termos que a vaga repete e que você de fato tem. Uma palavra usada onde ela descreve um resultado vale mais que cinco palavras soltas numa lista no fim.
Posso copiar a descrição da vaga inteira pro currículo?
Não. A descrição mistura o que a empresa quer com o que ela espera de qualquer candidato, e o texto copiado fica genérico e cansativo de ler. Pegue os termos que se repetem, escreva frases com fatos seus e deixe de fora o que não é seu.
E se a vaga pede uma ferramenta que eu não domino?
Não coloque. Se a vaga pede Power BI e você conhece Excel, escreva Excel e não prometa o que não sabe fazer. Palavra que não se sustenta na entrevista custa mais do que a vaga perdida na triagem.
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