Em design, o bullet precisa ligar o que você fez a um problema, uma decisão e um efeito: o que o usuário ou o negócio ganhou com o seu trabalho. Use um verbo no passado, o tipo de trabalho (UX, UI, gráfico ou product) e um número quando ele existe. Os exemplos são ilustrativos.

Por que o bullet de design falha

A maioria das descrições de design lista telas e ferramentas: “criação de layouts no Figma”, “desenvolvimento de identidade”. Isso diz onde você trabalhou, não o que mudou. O recrutador de design procura a mesma coisa que procura num portfólio: problema, decisão, efeito. Se o bullet não tem um dos três, ele vira lista de arquivos.

Como escrever um bullet de UX, UI, gráfico ou product design?

Use a cadeia de três elos. O primeiro diz a ação, o segundo o problema ou a área, e o terceiro o efeito:

  1. Ação: pesquisei, redesenhei, criei, testei, documentei, priorizei.
  2. Objeto: o fluxo, a marca, o componente, a peça, o backlog de produto.
  3. Efeito: conclusão, tempo, retrabalho, aprovação, adoção pelo time.

Se você não tem o efeito em número, use o efeito em fato: “aprovado pela diretoria na primeira apresentação” ou “adotado por quatro times” são resultados reais.

O método geral para qualquer área está em como descrever experiência no LinkedIn. Se você tem pouco tempo de casa, o caso de experiência curta é outro, e está em experiência curta no LinkedIn.

Onde achar o número do seu trabalho

  • Ferramenta de análise do produto: conclusão de fluxo, ativação, retenção do período em que você trabalhou.
  • Ferramenta de teste: número de participantes, tarefas concluídas, problemas por severidade.
  • Jira, Trello ou Linear: itens entregues, ciclos de revisão, prazo cumprido.
  • Figma: quantidade de componentes, variantes e telas documentadas no design system.
  • Se nada foi medido: conte o que entregou (peças, telas, testes rodados) e quem usou o resultado. Volume de trabalho é número.

15 bullets antes e depois, por frente de design

Números ilustrativos. Mantenha a estrutura e troque pelos seus dados.

UX: pesquisa

Antes: Realização de entrevistas com usuários.

Depois: Conduzi 18 entrevistas com clientes de um app de crédito e transformei os achados em três problemas priorizados, que entraram no backlog do trimestre.

UX: fluxos

Antes: Criação de fluxos de navegação.

Depois: Redesenhei o fluxo de cadastro de um marketplace de sete para três etapas; a conclusão do cadastro subiu de 34% para 49% (ilustrativo).

UX: testes

Antes: Testes de usabilidade.

Depois: Rodei 12 testes de usabilidade remotos antes do lançamento e corrigi 9 dos 11 problemas críticos encontrados na primeira versão.

UX: arquitetura

Antes: Organização das informações do site.

Depois: Reorganizei o menu e as categorias de um portal com 3 mil páginas, com teste de árvore; a busca interna passou a responder 25% menos consultas sem resultado.

UI: componentes

Antes: Criação de telas e componentes.

Depois: Desenhei 60 componentes no Figma para o design system, com variantes e estados documentados, usados por quatro times de produto.

UI: acessibilidade

Antes: Ajustes de acessibilidade.

Depois: Revisei contraste, tamanho de toque e leitura de tela em 40 telas do app, o que levou o produto a passar na auditoria de acessibilidade do cliente.

UI: handoff

Antes: Entrega de arquivos para o desenvolvimento.

Depois: Documentei estados e espaçamentos de cada tela no Figma com tokens, e o time de front-end cortou de cinco para duas as rodadas de ajuste por tela.

Product design: métricas

Antes: Acompanhamento de métricas do produto.

Depois: Propus três experimentos de onboarding com hipótese e métrica definidas; o de checklist elevou a ativação de 22% para 31% em dois meses (ilustrativo).

Product design: discovery

Antes: Participação em reuniões de produto.

Depois: Liderei o discovery de uma nova funcionalidade de agendamento com time de produto e engenharia, e reduzi de seis para dois meses o tempo até o primeiro protótipo validado.

Product design: roadmap

Antes: Definição de prioridades.

Depois: Priorizei com o PM o backlog de design de 40 itens por impacto e esforço, e entreguei os 12 de maior impacto no primeiro semestre.

Gráfico: identidade

Antes: Criação de logotipos e marcas.

Depois: Criei a identidade de três linhas de produto de uma marca de alimentos, com manual de uso entregue em duas semanas e aprovado pela diretoria.

Gráfico: peças

Antes: Produção de materiais para redes sociais.

Depois: Produzi 120 peças por mês para cinco contas de clientes no Illustrator e no Photoshop, com prazo de aprovação de 24 horas.

Gráfico: embalagem

Antes: Desenvolvimento de embalagens.

Depois: Desenvolvi a arte de 18 embalagens de cosméticos, com checagem de pré-impressão e cores Pantone aprovadas pelo fornecedor na primeira prova.

Gráfico: editorial

Antes: Diagramação de materiais impressos.

Depois: Diagramei um relatório anual de 96 páginas com dados e gráficos, fechado no prazo de gráfica de três semanas.

Motion e ilustração

Antes: Criação de animações e ilustrações.

Depois: Produzi 25 animações curtas de microinterações para o app e 40 ilustrações de estado vazio, aprovadas em uma rodada de revisão cada.

Quantos bullets por cargo de design

  • Estagiário e júnior: três bullets, com a entrega, uma ferramenta dominada e uma revisão ou teste que você conduziu.
  • Pleno e sênior: quatro ou cinco, misturando pesquisa, decisão de produto e um resultado medido.
  • Designer gráfico: três ou quatro, com volume de peças, marca entregue e prazo de aprovação.

Mostre o caso completo no portfólio e use o bullet como resumo. A mesma lógica vale para marketing, em experiência no LinkedIn para marketing, e para o perfil inteiro de designer, em perfil do LinkedIn para designer.

Erros comuns em experiência de design

  • Ferramenta como resultado.“Figma avançado” não é entrega. Diga o que você fez com o Figma.
  • Função sem produto.“Designer de interfaces” sem dizer para qual app ou produto deixa o recrutador sem contexto.
  • Mistura de cargos sem período. UX e gráfico na mesma experiência sem datas confundem a leitura. Separe por período ou por frente.
  • Número inventado. Percentual sem origem é o primeiro ponto que a entrevista derruba.
  • Projeto de curso como emprego. Case de curso vai em projetos ou no portfólio, com a indicação de que é estudo.

Como reescrever sua experiência em 20 minutos

  1. Liste as três entregas mais fortes de cada empresa, com o problema que resolveram.
  2. Para cada uma, procure um número no painel, no Jira ou no que você lembra com segurança.
  3. Escreva um bullet no formato ação, objeto e efeito, começando pelo verbo.
  4. Corte o que é tarefa sem decisão: “reuniões” e “alinhamentos” não entram.
  5. Confira que cada bullet cabe no limite e combina com a vaga que você quer.

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Perguntas frequentes

Designer sem métrica de negócio pode escrever resultado no bullet?

Pode, desde que o resultado seja do trabalho e não do produto inteiro. Testes de usabilidade com número de participantes, tempo para concluir uma tarefa antes e depois, retrabalho evitado no handoff e peças entregues no prazo são resultados que você observou. Se o time nunca mediu nada, escreva o que você fez com precisão e o que mudou na conversa, sem inventar percentual.

UX, UI e designer gráfico no mesmo perfil: como separo as experiências?

Uma experiência por empresa, com o cargo que você tinha ali. Dentro dela, use os bullets para mostrar cada frente: pesquisa e fluxo para UX, componentes e telas para UI, identidade e peças para gráfico. Se a empresa tinha dois cargos, cite os dois com período. O recrutador entende a mistura quando ela aparece dentro de um contexto.

Posso citar o nome de um app ou de uma marca que eu desenhei?

Só quando o produto é público e você tem autorização para citar. Projeto confidencial vira descrição: plataforma de pagamentos para pequenos varejistas, app de agendamento para clínicas com 40 mil usuários ativos (ilustrativo). A área, o tipo de produto e o resultado já dizem o tamanho do trabalho sem quebrar acordo de confidencialidade.

Quantos bullets um designer deve ter em cada experiência?

Entre três e cinco nas empresas em que você trabalhou mais tempo, e um ou dois nas curtas. Mais que isso vira relatório de tarefas. Priorize o que se repete na vaga que você quer: se a vaga é de product design, os bullets de pesquisa e de métricas sobem; se é de identidade, sobe o de marca.

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