Na experiência de comunicação, o recrutador quer ver o que a sua mensagem alcançou, e não só as tarefas da rotina. Escreva cada bullet com ação, escopo e resultado, e prefira o que você consegue mostrar: uma pauta publicada, um boletim lido, uma crise contida. Os 20 modelos abaixo servem de ponto de partida para a sua experiência.

Como o recrutador lê a experiência de comunicação

Quem contrata para comunicação procura três coisas no perfil: quem é o público de cada trabalho, por qual canal a mensagem saiu e o que mudou depois. Uma lista de tarefas como “redigir textos” e “alimentar redes sociais” não responde nenhuma das três. Ela descreve a rotina, e a rotina aparece em qualquer perfil da área. O que diferencia é a mudança que você causou.

Antes de escrever, separe o que você fez em comunicação externa (imprensa, redes, site, eventos), interna (boletim, mudanças, integração) e de conteúdo (textos, roteiros, guias). Cada grupo tem um vocabulário próprio, e o recrutador busca pelo vocabulário. Se a sua função mistura os três, descreva os três, mas comece pelo que a vaga pede.

A fórmula de cada bullet: ação, escopo e resultado

Um bullet que se sustenta tem três partes, nesta ordem. A ação mostra o que você fez. O escopo mostra o alcance do trabalho. O resultado mostra o que mudou. Nem todo bullet terá os três com número; o que não pode faltar é a ação com um verbo concreto.

PartePergunta que ela respondeExemplo
AçãoO que você fez, com um verbo forte?Criei, coordenei, redigi, negociei
EscopoPara quem, em que canal, com que volume?Para 30 jornalistas, no boletim de nove áreas
ResultadoO que mudou depois do seu trabalho?Oito matérias em seis meses; boletim lido por quase toda a empresa

Cada experiência do LinkedIn aceita até 2.000 caracteres, o que dá espaço para cinco ou seis bullets bem escritos. Use menos palavras por bullet e mais bullets com resultado. Os menus mudam entre o aplicativo e o computador, mas a experiência fica na seção de experiência do seu perfil, no lápis.

20 bullets ilustrativos para comunicação, em quatro grupos

Os exemplos abaixo são ilustrativos: as pessoas, as empresas e os números foram inventados para mostrar a forma do bullet. Adapte cada um ao que aconteceu com você, e troque o número pelo que puder comprovar.

Alcance

  • Publiquei três posts por semana na página da empresa, em texto e carrossel, e levei as impressões mensais de 40 mil para 120 mil em um semestre.
  • Criei uma série mensal de bastidores com os líderes da empresa, que virou a publicação com mais comentários da página no ano.
  • Reorganizei o calendário editorial de doze meses por tema, o que reduziu pela metade o tempo de produção de cada publicação.
  • Liderei a estratégia de conteúdo da marca empregadora, com seis vídeos curtos por mês que aumentaram os seguidores da página em 25%.
  • Mapeei os dias e formatos com mais resposta da audiência e ajustei a publicação para terças e quintas, de maior alcance.

Imprensa

  • Mantive o relacionamento com cerca de 30 jornalistas da área, com pautas e releases que geraram oito matérias em seis meses.
  • Preparei porta-vozes para entrevistas, com roteiro de três mensagens-chave e treino das perguntas difíceis.
  • Monitorei menções à marca na imprensa e nas redes e enviei um resumo semanal para a diretoria, com tom e alcance de cada uma.
  • Redigi notas sobre lançamentos e resultados, revisadas pelo jurídico antes da publicação.
  • Organizei a cobertura de um evento com quatro jornalistas convidados, kit de imprensa e entrevistas agendadas antes da abertura.

Engajamento interno

  • Criei o boletim interno mensal, com notícias de nove áreas, lido por cerca de 85% dos colaboradores da empresa.
  • Coordenei a comunicação de uma mudança de sistema, com roteiro, perguntas frequentes e três pesquisas rápidas de entendimento.
  • Estruturei uma rede de embaixadores internos, com 20 pessoas de áreas diferentes que compartilhavam as publicações da empresa.
  • Conduzi a comunicação da renovação anual de benefícios, com canal único e perguntas respondidas em até 48 horas.
  • Organizei a semana de integração de novos colaboradores, com apresentações de seis líderes e um guia de boas-vindas.

Conteúdo e crise

  • Escrevi 40 textos para site, e-mail e redes seguindo um guia de tom de voz de doze páginas, usado por três agências parceiras.
  • Atuei na resposta a uma crise de atendimento, com comunicado em duas horas e atualização diária até o fim do incidente.
  • Transformei relatórios técnicos em carrosséis e resumos de uma página, usados pelo time de vendas nas reuniões de prospecção.
  • Montei um painel mensal de alcance, cliques e respostas por canal, e encerrei dois formatos que não davam retorno.
  • Negociei a produção de um vídeo institucional com orçamento de R$ 60 mil e entrega em noventa dias, dentro do prazo aprovado.

Exemplo ilustrativo: de uma linha genérica a um bullet que se sustenta

Marina, uma profissional fictícia de comunicação interna, tinha escrito no perfil: “Responsável pelo boletim interno e campanhas internas”. A frase é verdadeira, mas o recrutador não sabe nem para quem o boletim vai, nem se ele funciona. Ela reescreveu o bullet assim, com dados que ela mesma guardava na planilha de acompanhamento (ilustrativo):

Criei o boletim interno mensal para 1.200 colaboradores de nove áreas; a taxa de leitura subiu de 40% para 85% em oito meses, medida pelo painel do próprio canal.

O bullet ficou maior, mas cada palavra responde a uma pergunta. Quem lê sabe o público, o canal, o período e o efeito. A regra é simples: se você não tem o número, escreva a frequência e o tamanho do público, e deixe o resultado qualitativo para a entrevista.

Comunicação externa e interna: como separar no perfil

Quando a mesma pessoa trabalhou nas duas frentes, a separação ajuda o leitor. Um jeito é abrir a experiência com um parágrafo curto sobre o escopo e depois listar os bullets por frente. Outro é criar duas experiências no mesmo cargo, se a empresa tiver áreas com nomes diferentes. Escolha o que deixa mais claro o que a vaga pede.

Para a seção Sobre, não repita os bullets. Use a primeira frase para dizer em que frente você é mais forte, como a imprensa ou a comunicação de mudança, e deixe o detalhe para a experiência. Os exemplos de Sobre do LinkedIn mostram como abrir esse texto sem repetir a lista.

O que não colocar: números sem fonte e cargos inflados

Um número que você não consegue explicar numa entrevista é um risco, mesmo que esteja certo. Não cite alcance que você não viu no painel, não atribua à sua campanha um resultado que foi da empresa inteira e não aumente o título. Recrutadores de comunicação costumam pedir o material do trabalho, e a conversa sobre o que você fez precisa bater com o que está escrito.

Também evite a lista de ferramentas como substituto de resultado. Dizer que você usa um gerenciador de anúncios não mostra nada. Dizer que reduziu o custo por resposta de uma campanha, com a ferramenta citada como meio, mostra. Para a parte de palavras-chave, o guia de palavras-chave do LinkedIn ajuda a escolher os termos sem encher o texto.

Checklist antes de salvar a experiência

  1. Cada bullet começa com verbo de ação, e não com “responsável por”.
  2. Cada bullet diz para quem ou em qual canal, mesmo que sem número.
  3. Os números têm fonte que você consegue mostrar numa entrevista.
  4. O cargo é o real, e o título bate com a carteira de trabalho ou o contrato.
  5. As palavras que a vaga pede aparecem em pelo menos dois bullets, de forma natural.

Para comparar a sua experiência com outras áreas, veja a experiência em marketing no LinkedIn, que tem muitos bullets vizinhos. As competências que o recrutador filtra estão em competências do LinkedIn para marketing, e os termos de cada área aparecem também em headlines por profissão.

Pra fechar: o perfil de quem comunica

Uma experiência de comunicação bem escrita é a prova que o recrutador procura. Se o seu perfil ainda descreve tarefas, o pacote do AjustaLinkedIn reescreve headline, Sobre e cada experiência com resultado, por R$ 9,90, pagamento único, e você cola cada campo no LinkedIn. Para ver a nota atual antes de decidir, a análise grátis mede o perfil em cinco categorias, sem cadastro.


Perguntas frequentes

Vale colocar clipping de imprensa na experiência?

Vale, quando você tiver o link ou o registro da matéria. Escreva o veículo, o mês e o que a matéria tratou, e coloque o link na descrição da experiência ou na seção Destaque do perfil. Se não houver registro público, descreva o trabalho sem citar o veículo, porque uma menção que o leitor não consegue conferir enfraquece o resto do perfil.

Posso usar os números da empresa nos bullets?

Só os que a empresa já divulgou ou autorizou. Alcance interno, volume de crise e resultado de campanha costumam ser sigilosos. Quando não puder citar o número exato, use a ordem de grandeza e a frequência, como “publicações semanais para uma base de milhares de funcionários”, e prepare a versão completa para a entrevista.

Como descrever uma experiência de comunicação sem cargo de comunicação?

Use o cargo real e descreva a função de comunicação dentro dele. Um analista de RH que cuida do boletim interno e das campanhas de benefícios tem experiência em comunicação interna. O título pode ser o da empresa; os bullets é que dizem o que você faz e para quem.

Com que frequência devo atualizar esses bullets?

Ao fechar cada projeto e, pelo menos, uma vez por semestre. Guardar o resultado no momento em que ele acontece é mais fácil do que lembrar, meses depois, qual foi o alcance de uma campanha. Um arquivo de rascunho com data e fonte resolve isso sem custo.

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